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Bom Dia, tristeza
Depois de fazerem playback de "Anna Júlia" em tudo quanto é programa de TV, é chegada a hora do famoso "teste do segundo disco" para o Los Hermanos. Para encarar o desafio, a banda encerrou suas turnês e se trancou em um sítio disposta a tocar o dia inteiro, conceituar e compor o novo trabalho. Finalmente a gravação, que durante um mês e meio atraiu um quarteto de cordas, oboé, cravo, clarinete e flauta transversal para o apertado estúdio de Chico Neves. O resultado disso é um álbum que evoca a quarta-feira de cinzas e o fim do carnaval. "Se o anterior tinha a ver com a alegria e a tristeza da folia, nesse rola uma mudança natural, o momento para olhar para si depois da folia, de volta a algum lugar", tenta explicar Rodrigo Amarante, que agora também toca guitarra em metade das faixas. O vocalista e guitarrista Marcelo Camelo se sai melhor: "Quando gravamos o primeiro disco, a gente não sabia nada de estúdio. Na verdade, entramos no estúdio para construir um conceito baseado em um show que já estava construído há muito tempo. Neste, tivemos um tempo específico para bolar o conceito e os arranjos e a sorte de contar com a produção de Chico Neves, que é um cara que promove as idéias da banda em vez de editá-las". Assegurando que não vão repetir nenhuma fórmula do álbum anterior, Camelo afirma que o peso está muito mais nas entrelinhas, no clima e nas letras do que no som das guitarras. Lamentavelmente, a gravadora não permitiu que SHOWBIZZ ouvisse alguma faixa do disco - porque não estava mixado e porque ninguém lá havia escutado ainda. Deixando claro que era a primeira vez que falavam a respeito de seu novo trabalho, a desculpa de Amarante foi justa: "Gravar é como parir, o disco ainda é um neném, saca? Não tem nem rosto direito..."
Matias
Maxx
Showbizz, maio/2001