No dia 10

    Bruno Medina responde as perguntas de Luciano Alemão

 

No dia 10/set, falamos com o gente boa Bruno Medina (tecladista), sobre tudo o que rola com o Los Hermanos atualmente. Além de Bruno, o Los Hermanos é completado por Marcelo Camelo (vocal e guitarra), Rodrigo Amarante (vocal e flauta), Patrick Laplan (baixo) e Rodrigo Barba (bateria), todos muito simpáticos por sinal. Confira agora o nosso bate-papo:

Antena Rock — Quando começou a rolar "Anna Júlia" nas rádios, deu para imaginar que ia ser tanto sucesso?

Bruno Medina — Não. A música tomou uma proporção que nunca imaginamos. Ela fez uma espécie de "croosover" entre rádios pop rock e rádios românticas, que tocam pagode, o que fez com que a música se popularizasse muito, o que trouxe projeção muito grande pra gente. Nós nunca podíamos imaginar que isso fosse acontecer.

A.R. — O que vocês acham das pessoas que só vão ao show pra ouvir "Anna Júlia" e "Primavera", e na verdade encontram sons rápidos?

Bruno — Eu não sei o que elas acham. Eu acho ótimo. quanto mais gente no nosso show, melhor pra nós. Foi estratégia de Marketing da gravadora de lançar as 2 músicas que seriam o contra-ponto do CD, as mais lentas. Hoje em dia já está resolvido com "Quem sabe" saindo como faixa de trabalho. São 260 mil discos vendidos, então muita gente já tem o CD.



A.R. — Já existe material para o segundo CD? Em que linha ele virá?

Bruno — A gente tá começando a pensar nisso agora. Estamos encerrando nossa turnê no mês que vem (outubro) e até dezembro vamos ficar parados só compondo para gravar em janeiro, mixar em fevereiro pra ser lançado em março ou abril. Nós já temos muita coisa rascunhada, mas nada que dê pra fazer um disco.

Sobre o estilo, eu sinceramente não sei. A gente tá querendo botar legendas, só vai respeitar nossa vontade, pois achamos que é a única forma de fazer a coisa sincera e certa. Se não for um reflexo do que estamos ouvindo, ou nossas influências, seria uma mentira. Isso foi o que fez com que o primeiro disco desse certo.

Vai ser um trabalho que vai representar a gente neste momento. A sonoridade rock, com certeza vai prevalecer, isso eu não tenho dúvida.

A.R. — Eu tenho ouvido o pessoal chamar o som de vocês de "corno-core", o que voces acham?

Bruno — Corno-core! (surpreso).. É engraçado né cara. Na verdade são letras que falam de problemas que todo mundo passa. Eu particularmente nunca vi nada que fosse de corno assumido. Tem aquelas coisas de "outro alguém", que acontece com todo mundo. Você gostar de uma pessoa que gosta de outra, ou acabar perdendo uma namorada pra outro cara, não sei, acho engraçado....

Eu acho que nossas letras tem muito mais a oferecer do que isso, eu aconselho que as pessoas dêem uma ouvida mais atenta que elas vão encontrar outras coisas mais positivas em nossas letras.

A.R. — E de Hard-core o que vocês curtem?

Bruno — Cara, eu não sou o cara do Hard-core. Na nossa banda cada um gosta de um estilo totalmente diferente e o reflexo da nossa sonoridade, na verdade é uma soma de tudo isso. Talvez o Patrick e o Barba sejam os caras do Hard-core.

A.R. — Uma vez eu li que vocês disseram "que conseguiram o sucesso mais fácil que muita gente", sem tanto esforço. Comente um pouco sobre isso.

Bruno — As pessoas chegam e falam: Como é que foi essa luta?. Não foi uma luta, porquê estávamos fazendo o que gostávamos e sempre foi um prazer, mesmo quando a coisa era mais difícil.

Realmente foi muito rápido, não deu pra ficar cansado, então é por isso que a gente fala que não foi tão difícil.



A.R. — Vocês não curtiram a produção do primeiro CD (por sinal muito boa!), Por quê?

Bruno — Obrigado!. Cara eu não sei, no CD a gente pecou pela falta de experiência, pois foi nosso primeiro trabalho profissional, gravado em estúdio. Nós pecamos por não ter a experiência de saber tirar o som que a gente queria.

O disco foi gravado meio que no esquema de 1ª banda, sabe como é, poucas horas de estúdio, mixagem rápida...

Aí, eu particularmente não gosto da sonoridade do disco. Com o tempo vamos pegando a manha e pode ter certeza que esse 2° Disco vai vir com um som mais encorpado, bem mais resolvido.

A.R. — Uma vez o Marcelo disse que odiava Ramones, e que preferia o Bon Jovi. Você não acha que ele pegou pesado com os fans da parte mais Hard-Core da banda?

Bruno — Sim, sem dúvida, acho que ele pegou pesado, foi meio pra implicar, pois na verdade a gente tem muita birra com as pessoas que acham que temos que nos vestir de preto porque tocanmos Hard-Core, ou que temos que ter cabelo comprido porque tocamos rock. Isso é preconceito. Acho que podemos tocar essa sonoridade sem se mirar em exemplos básicos.

O Marcelo foi infeliz nessa afirmação. Mas de certa forma já está resolvido, pois existe gente na banda que gosta de Ramones e se o Marcelo gostar ou não, não vai fazer da gente uma banda pior ou melhor.

A.R. — O show dos Los Hermanos é mais emoção ou energia?

Bruno — Pô, que pergunta hein ara! Sei lá... O que você acha? (pergunta pro Valtinho). É, eu acho que é energia, né cara, pois quando estamos no palco a gente taz o que realmente gosta. É bem mais pesado que o disco inclusive. O Barba é um cachorro na bateria, toca muito forte, isso faz a nossa graça.

O show é bastante energético pra quem quer pular e dar mosh. É engraçado que muita gente vai ao show e fica surpreso, acha que vai ter 15 "Annas Júlias", uma atrás da outra, e não é a nossa onda, sinceramente. É só um contratempo no show pra galera dar um relax.

A.R. — Rola malguma participação nos shows? Alguém sobe pra cantar?

Bruno — Não cara. Já teve. Isso depende muito de onde a gente toca. Hoje por exemplo, os caras vão participar do show do Bonfá. No Palace o John do Pato Fú tocou guitarra em Barbara. É um cara que a gente gosta muito.

A.R. — Já rolou Jam com Fan?

Bruno — Já teve um fanzão nosso que mora em Araraquara (SP) e quando a gente faz show lá naquela área, ele entra nas músicas pra fazer backing vocals. As vezes pela estrutura do local, pelo lance de ter credencial, não rola. Mas a gente se amarra nisso.

A.R. — No próximo CD vai ter alguma garota homenageada?

Bruno — Cara, eu acho que não né. Nesse CD foram 3, a gente não se tocava (risos), mas também porque as músicas foram feitas realmente para aquelas meninas. Seria hipocrisia se não colocassemos, era verdade. Agora, futuramente não, acho que a gente cançou de por nome de mulher.

A.R. — Bruno, pra fechar deixe uma mensagem para a galera do site Antena Rock.

Bruno — Quero mandar um abraço aí pra todo mundo do Antena Rock, um site que ainda não tive a oportunidade de acessar, mas tenho certeza pelo nível das perguntas que é bastante interessante. E é importante a gente ter esses meios alternativos de divulgação do rock. Infelizmente a gente não pode contar com a televisão e o rádio, porque hoje em dia vocês sabem o que eles tocam…

Então um abraço pra todo mundo aí do Antena Rock e a gente se vê na próxima